• Dra. Nathália Lins Pontes Vieira

Retocolite Ulcerativa

O que é Retocolite Ulcerativa? A Retocolite Ulcerativa é uma doença de inflamação apenas da mucosa do intestino grosso (cólon). Diferente da Doença de Crohn, ela não afeta o ânus ou outros órgãos. Isso é essencial na diferenciação na hora do diagnóstico.





Causas


O que provoca a Retocolite Ulcerativa? Assim como na Doença de Crohn, a causa da Retocolite Ulcerativa não esté bem estabelecida. Mas acredita-se ser uma combinação entre fatores genéticos, imunológicos e fatores ambientais como alimentação, condições sanitárias e flora intestinal. O que influencia exatamente nestes fatores ambientais ainda não está comprovado, mas estudos mostraram o aumento de casos da doença em pessoas que saíram de locais de baixo risco e foram morar em comunidades ou países com alta incidência da DC. Isto pode estar relacionado a alta ingesta de alimentos processados na cultura ocidental. Os estudos genéticos mostraram que a doença tem um componente familiar importante, assim como pode ser um caso isolado de defeito genético.


Sintomas


Quais os sintomas de colite? A diarreia é o principal sintoma na RCU, e geralmente associada a outras queixas: dor abdominal, sangramento, febre, dores articulares, perda de peso, anemia, e muco nas fezes. A inflamação exclusiva do reto (retite ou proctite) é uma apresentação comum na RCU, com queixas de dor anal, desejo constante de evacuar, saída de sangue ou muco pelo ânus. Outra situação importante e associada à RCU é a Colangite Esclerosante, que é uma doença nos canais biliares no fígado, levando a dor e pele amarelada (icterícia).


Diagnóstico


E como diagnosticar? A colonoscopia é o exame mais importante no diagnóstico da Retocolite Ulcerativa, para avaliar a extensão da inflamação e complementar os estudos com biópsias. Outros exames são importantes para diferenciar entre RCU e DC, e afastar outras causas de inflamações intestinais. Na investigação pode ser preciso realizar endoscopia, exames de sangue, exames de fezes, sorologias, pesquisa de intolerâncias alimentares, e exames de imagem (tomografia e ressonância). A confirmação do diagnóstico de RCU nem sempre é fácil ou rápido.


Tratamento


No tratamento da RCU é a equipe deve ser composta por médico, nutricionista e psicólogo. A interação multidisciplinar e a individualização do tratamento são as chaves para um bom resultado.


As medicações são divididas em corticóides, salicilatos (Mesalazina e Sulfassalazina), imunomoduladores (Azatioprina e Metotrexato), e os biológicos (Infliximabe, Adalimumabe, Ustequinumabe, Vedolizumabe, etc.) A escolha e necessidade destas medicações variam de acordo com a apresentação e a gravidade em cada indivíduo. Felizmente o desenvolvimento de novas medicações e tecnologias estão avançando continuamente, assim como o entendimento da doença, o que traz novas conquistas na qualidade de vida e tratamento.


A orientação nutricional e o suporte psicológico são essenciais para melhora na qualidade de vida e controle dos sintomas. O apoio emocional e mental interfere diretamente na prevenção de crises e exarcebações da doença.

A cirurgia na Retocolite Ulcerativa pode ser necessária em caso de alguma complicação, ou quando não há resposta ao tratamento clínico. Diferente da DC, a cirurgia para retirada completa do intestino grosso pode levar à cura da doença. No entanto isso não significa que a cirurgia seja a opção mais rápida ou fácil para o tratamento da RCU. Por ser uma cirurgia de grande porte, ela traz riscos e consequências que só compensam em pacientes que não tiveram melhora com o tratamento clínico.


As doenças inflamatórias intestinais precisam de tratamento constante e por toda a vida. O controle correto da inflamação é o que previne o surgimento de complicações. Uma das complicações das doenças inflamatórias intestinais é o desenvolvimento de câncer de intestino. Isso pode ocorrer após alguns anos da doença (em geral após 7 anos da RCU e 10 anos na DC).

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