• Dra. Nathália Lins Pontes Vieira

Qual a melhor cirurgia para hemorroida?


Após a indicação do tratamento cirúrgico para hemorroidas, a primeira pergunta é: qual a melhor cirurgia para hemorroidas? A resposta não é simples, pois depende de vários fatores.


Vale a pena lembrar que a doença hemorroidária nem sempre exige tratamento cirúrgico. Na verdade, o tratamento clínico com dieta e cuidados locais é suficiente e eficaz na maioria das vezes. Mas caso você precise de cirurgia, é preciso discutir as melhores opções para o seu caso com o seu médico.






Cirurgias ambulatoriais


São os procedimentos que podem ser realizados em consultório médico, sem necessidade de internação, anestesia ou centro cirúrgico. Geralmente indicada para as hemorroidas grau I ou II (volte para o post sobre hemorroidas), são uma opção antes do tratamento cirúrgico.


A ligadura elástica consiste no garroteamento da hemorroida com uma banda elástica, levando a isquemia e destruição do mamilo hemorroidário. Não causa dor, mas pode haver algum incômodo, tenesmo (sensação de desejo evacuatório), sangramento ou até mesmo infecção local. Esta técnica é bem indicada para tratamento de uma única hemorroida por vez, não muito volumosas, sem componente externo (plicomas ou hemorroidas externas).


A escleroterapia é a aplicação de substâncias que levam a destruição da hemorroida. Também sem dor, mas com complicações semelhantes a ligadura elástica (sangramento e infecção). Apresentam resultado melhores em hemorroidas com queixa de sangramento, e também sem efeito quanto aos plicomas ou hemorroidas externas.


Cirurgia clássicas


A cirurgia convencional para hemorroida são as técnicas de hemorroidectomias, que consistem na retirada das hemorroidas doentes. Descritas há mais de um século e utilizadas até hoje, possuem as menores taxas de recidiva da doença. Mas são muito temidas quanto a dor no pós-operatório. Isso ocorre porque há manipulação da borda do ânus, que possui maior sensibilidade a dor, diferente do canal anal (dentro do ânus).


Existe a hemorroidectomia aberta (ou a de Milligan-Morgan), em que não há a sutura/fechamento da ferida operatória. Ou a hemorroidectomia fechada (ou a de Ferguson), quando há sutura/fechamento da ferida operatória. Na técnica de hemorroidectomia semi-fechada, se faz uma sutura parcial da ferida.



Hemorroidectomia aberta ou Milligan-Morgan (figura 1 e 2): excisão da hemorroida deixando a ferida aberta com cicatrização por segunda intensão.



Hemorroidectomia fechada ou Ferguson (figura 3): sutura para fechamento da ferida operatória.


Não há grandes diferenças quanto ao resultado final entre as diferentes técnicas de hemorroidectomia.


Técnicas modernas


Algumas opções mais recentes ganharam espaço no tratamento das hemorroidas. Principalmente com intuito de melhorar as condições no pós-operatório e com retorno mais precoce às atividades.


A técnica de hemorroidopexia por grampeamento ou hemorroidectomia por PPH® (ou técnica de Longo) é uma ressecção da mucosa do canal anal seguido do grampeamento circular, para fixar as hemorroidas. Neste caso não há a retirada propriamente dita dos mamilos hemorroidários. E como não há manipulação na borda anal, esta técnica traz menos dor no pós-operatório. O PPH está melhor indicado para pacientes com hemorroidas internas grau 1 a 3, principalmente aqueles com queixas de prolapso e sem componentes externos ou plicomas.



Hemorroidectomia por PPH ou Hemorroidopexia mecânica (Figura 1): posicionamento do grampeador no canal anal.






















Hemorroidectomia por PPH ou Hemorroidopexia mecânica (Figura 2): aspecto final como linha de grampo no canal anal e fixação das hemorroidas.
















A hemorroidectomia por THD® ou Desarterilização Hemorroidária Transanal é uma ligadura da vascularização da hemorroida, guiada por ultrassom. Através de um aparelho com doppler na extremidade, o cirurgião é capaz de identificar o ponto de maior fluxo sanguíneo na hemorroida, e interrompê-lo através de pontos de sutura. Nesta técnica também não há a retirada de hemorroida, mas com o tempo ela tende a isquemia por falta de vascularização. O THD é bem indicado para paciente com hemorroidas grau 1 e 2, principalmente em casos que o sangramento é a principal queixa. E como não há manipulação externa, a técnica apresenta menos dor no pós-operatório e não é bem indicado para tratamento de plicomas anais.



THD (Figura 1): anuscópio com doppler e janela para sutura.



THD (Figuras 2 e 3): pontos para ligadura vascular e fixação de hemorroidas.



A melhor cirurgia para tratamento das hemorroidas é aquela que é melhor para você!


Não existe uma só técnica superior para todos os pacientes, pois como vimos cada uma tem seus pontos positivos para cada tipo de paciente. Por isso converse com o seu médico proctologista sobre as suas queixas e expectativas, para que ele(a) possa alinhar com o melhor tratamento da sua doença.

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